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PERDA DO PALADAR: ENTENDA COMO ESSE SINTOMA DO CORONAVÍRUS PODE AFETAR A SUA ROTINA


O coronavírus mudou todos os nossos hábitos de vida, principalmente aqueles relacionados a higiene. Além de lavar as mãos com certa frequência e usar álcool gel, as pessoas reforçaram o uso do fio dental, do enxaguante e escovar os dentes precisou ser feito com capricho. Já quem pegou Covid, teve que encarar outras realidades: as sequelas da doença. Muita gente continuou tendo dificuldade para respirar, cansaço e não conseguiu recuperar o olfato, nem o paladar após ficar livre do vírus. Será que um dia esses efeitos vão passar? De que maneira isso afeta a saúde bucal das pessoas? O Sorrisologia entrevistou a dentista Ana Elisa da Silva que esclareceu todas essas questões.

A PERDA DO PALADAR É UM DOS SINTOMAS DO CORONAVÍRUS. POR QUAL MOTIVO ELE ACONTECE?

Em algumas pessoas, a perda ou diminuição do olfato é o primeiro sintoma, para alguns, o único sintoma do coronavírus. Estima-se que mais de 40% dos infectados tiveram sintomas de alteração de olfato e a dentista explica porque isso acontece: "O vírus do Covid-19 consegue entrar nas células e se replicar através de receptores e ligações proteicas presentes nas membranas celulares. As células do nariz, garganta e vias aéreas superiores possuem em abundância esses receptores específicos, facilitando a disseminação viral". Ela conta que essas células afetadas são responsáveis pela saúde dos neurônios sensoriais e da camada de muco para que os cheiros possam se ativar de maneira adequada.

O vírus pode afetar a função do olfato, induzindo inflamação local e interrompendo a detecção de odores, também pode desativar ou danificar diretamente as células sensoriais do nariz que detectam os odores. "Neste caso, a perda do olfato é parcial ou até total, mas retornando em pouco tempo. Existe também a possibilidade do vírus seguir o caminho do nervo olfatório no cérebro, causando danos adicionais ao sistema nervoso central", atentou.

A PERDA DO PALADAR PODE AFETAR A SAÚDE BUCAL DO PACIENTE

Além de não sentir gosto de nenhum alimento, a perda do paladar também pode causar a diminuição do fluxo salivar do paciente. "Esse processo ocorre pela falta de estímulo gustatórios das glândulas salivares. As glândulas exócrinas necessitam de estímulo para secretar e quando não sentimos gosto, perde-se o prazer da alimentação e perde-se o estímulo secretor", esclareceu a dentista.

Esse quadro de pouca saliva pode causar desconforto na alimentação do paciente, pois o bolo alimentar não é formado de forma correta, e alterar todo o processo digestivo, pois o alimento não sofreu sua degradação inicial realizada pela saliva na cavidade bucal. Outra questão bem importante é que a diminuição salivar causa diminuição da autolimpeza da cavidade bucal, podendo acarretar no aparecimento de cárie, inflamações gengivais (como a gengivite e periodontite), saburra lingual e halitose.

O PACIENTE QUE TEVE CORONAVÍRUS PODE RECUPERAR O PALADAR APÓS A DOENÇA?

É possível, sim, recuperar o paladar após a covid. Mas, Ana Elisa explica que que requer uma terapia especializada e multidisciplinar: "O tratamento está baseado, atualmente, no estímulo dos nervos olfativos (mel, café, cravo, baunilha, suco de tangerina em pó, vinagre tinto, creme dental). Inalar cada um por 10 segundos, com intervalos de 15 segundos entre eles. Repetir duas vezes ao dia (manhã e noite)", recomendou. Esse treinamento pode ser feito por longo prazo, já que, não existe um tempo estabelecido para o retorno do olfato. O tratamento também pode estar baseado na recuperação das células através da suplementação de minerais e vitaminas e também da laserterapia.

Quando a recuperação das funções de gosto e olfato é relativamente rápida entende-se que não houve uma perda dos neurônios sensoriais olfatórios. Ocorre, nesse casos uma regeneração neuronal e esse processo dura em torno de 30 dias ou mais, no qual a sensação melhora gradualmente. Porém, há casos em que algumas pessoas ainda não recuperaram o olfato e isso pode apontar para danos de neurônios sensoriais ou dano no sistema nervoso central.

Esse artigo contou com a participação de:

Ana Elisa da Silva CRO-RS: 13490 Mestre em Clínica Odontológica Especialista em Periodontia. Capacitada para o atendimento da Halitose (Mau Hálito) Habilitada em Laserterapia e Profissional Indicada Pela ABHA (Associação Brasileira de Halitose).


fonte: sorrisologia

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