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"Não subestime uma cárie: ela pode causar infecções em órgãos vitais


"Não é mito.  Uma simples cárie pode, sim, ser fatal. Foi o que causou a morte do ex-vocalista da banda Dominó Ricardo Bueno, aos 40 anos, em 2017 e o que preocupa a comunidade médica por ser uma porta de entrada para infecções em órgãos vitais e doenças mais graves. A  boca é uma região com inúmeras bactérias que podem causar problemas na saúde geral, caso entrem em contato com o sangue a partir de uma lesão.



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Uma cárie se forma quando a bactéria libera ácido lático após absorver e metabolizar açúcar e outros alimentos e fermentá-los. Isso dissolve o cálcio do dente e forma uma lesão, um buraquinho. Se houver uma boa higienização, a cárie não progride. Do contrário, ela pode crescer e atingir não só o esmalte do dente, mas a dentina (parte interna) e o nervo.


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“No nervo tem sangue, e quando uma bactéria chega numa região que tenha sangue, ele é infectado. O que acontece é uma bacteremia transitória, e a bactéria pode se alojar no órgão que esteja mais frágil. Pode ser no coração, no rim, nas articulações, no pulmão ou até no cérebro”, explica o membro da Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Sergio Brossi Botta.


No coração, caso a bactéria se aloje, o que acontece é uma endocardite bacteriana, causando um dano extenso em válvulas cardíacas. Sem tratamento, a inflamação pode ser fatal. Outras doenças prováveis caso as bactérias estejam “viajando pelo sangue” pode ser uma infecção no rim, artrite (articulações), meningite (cérebro) ou embolia pulmonar.


Para evitar um problema mais grave, é necessário manter uma higiene bucal com escovação e fio-dental frequentemente. Foto: Bigstock


Mas por que a infecção se desenvolve num órgão, e não em outro? Segundo Botta, a região mais frágil do corpo é a atingida. “Se a pessoa já tem problema no rim, será no rim. Aí entram questões de genética e saúde geral de cada indivíduo”, diz.


As bactérias podem entrar o sangue de outras formas, como um ferimento na pele, na gengiva ou uma cirurgia mal esterilizada, por exemplo. Mas sem higiene bucal, há uma propensão maior que isso ocorra a partir daí. De acordo com o Instituto do Coração de São Paulo, de todos os pacientes que chegam lá com endocardites, cerca de 30% são de origem bucal.


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Para Sergio Botta, é necessário que a medicina seja mais integrativa nesse sentido, pois muitas vezes não é possível identificar de imediato que um problema de saúde está relacionado à higienização da boca. É o caso, por exemplo, da gastrite e da bactéria H. Pylori.


“Uma pessoa com propensão a ter gastrite, seja por stress ou má alimentação, poderá desenvolvê-la mais rápido se não tiver uma boa higienização e deixar as bactérias se proliferarem”, explica o dentista. Aí, mesmo que trate a gastrite com um médico gastrointestinal, mas não resolva os problemas de higiene bucal, as chances de a gastrite e a H. Pylori retornarem são certeiras.

Para evitar um problema mais grave, é necessário manter uma higiene bucal com escovação e fio-dental frequentemente, além de visitar um dentista de confiança ao menos uma vez por ano, para conferir se está tudo certo nos dentes e na gengiva.


fonte: gazetadopovo

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